Sylvia Loureiro

Postado em: 11/08/2023

Desde jovem meu coração se dividia em duas grandes paixões, a área de Humanas e Biomédicas. A área destinada às Exatas definitivamente não fazia parte da minha escolha. Assim sendo, ponderando unir as minhas duas preferências e não conseguindo desvinculá-las, decidi pela Medicina.

O ato de cuidar de uma forma integral associando a realidade social e suas repercussões físicas e emocionais sempre me fascinou, bem como o aprendizado de passar o conhecimento adquirido ao longo do tempo aos interessados.

Sendo assim, em meados de agosto iniciei o meu preparo para o vestibular que seria em dezembro. Minhas chances de ser aprovada se restringiram a este curto prazo de dedicação intensiva constituindo mais um dos muitos desafios da vida.

A surpresa da aprovação no vestibular em janeiro de 1974 e a felicidade de ser para uma faculdade do interior me estimularam a tentar aproveitar esse período universitário da melhor forma possível. 

Em janeiro deste mesmo ano, fui conhecer Valença e a faculdade acompanhada pela minha mãe. Ao entrar na Faculdade de Medicina de Valença, meu primeiro ano foi impactado pelo meu novo lar, convívio com meus colegas de classe e valencianos que marcar a minha vida. 

Naquela época eu dividia meu tempo entre ir à faculdade, dar aulas particulares de Matemática e inglês e  ajudar a preparar aulas práticas da disciplina de Bioquímica. Com todas essas atividades, eu permanecia em Valença na maioria dos finais de semana e assim construí uma relação de afeto pela cidade que me abriu os braços e acolheu com carinho.

O fato mais marcante do meu primeiro ano letivo, foi a homologação do reconhecimento da Faculdade de Medicina de Valença pelo MEC, que representou segurança e maior tranquilidade quanto aos rumos tanto da instituição quanto aos nossos próprios como alunos.

Aqueles eram os anos de ouro na minha vida, eu era muito feliz. Não que não existissem momentos de grandes angústias, indagações, discordâncias, decepções e reflexões pessoais: contribuições importantes para o meu autoconhecimento e amadurecimento como cidadã, pessoa e futuramente como profissional.

Já no segundo ano encontrei o companheiro da minha vida, colega de turma, que nesses 48 anos de convívio construiu também um elo forte com o Unifaa e Valença.

Durante minha jornada acadêmica, certos professores se tornaram exemplos para o meu futuro profissional e para a minha formação mais humana, são eles: professor Batista Neto, Mario Fortes, Domenico Petrillo, Professor Domingos Arthur Machado Filho, Miguel Tavares, Rubens Carlos Mayall, Mirtes Amorelli Gonzaga, Rubens Lopes da Costa e o professor Mario Barreto Correa Lima. Eles me incentivaram a ser monitora de Clínica Médica, e com a bolsa de estudos que a monitoria me proporcionou, consegui uma grande ajuda  financeira para os meus pais. Eles são modelos de profissionalismo e dedicação aos discentes.

Os cinco anos em Valença passaram rapidamente. Naquela ocasião, o sexto ano, considerado o ano do internato, ainda era incipiente em Valença. A disciplina de Clínica Médica, por exemplo, continuava com a sua parte prática alocada em 2 enfermarias localizadas no prédio da antiga Santa Casa (uma feminina e outra masculina). Não havia Hospital Escola e o então Hospital José Fonseca (atual Maternidade) nos acolhia como alunos sob algumas restrições. Batalhamos muito pela existência do nosso Hospital Escola 

Retornado ao Rio de Janeiro, minha cidade natal, fiz o meu internato no Hospital Federal Cardoso Fontes (MS), fui acadêmica bolsista do Hospital Municipal Souza Aguiar e fiz residência médica na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

Foram anos de muito trabalho e readaptação ao ritmo de uma cidade grande. Após a residência me tornei docente em Novas Metodologias de Ensino e Aprendizagem pela PUC-RJ, formação essa que consistiu numa mudança de paradigma na arte de formar e aprender com os alunos.

Atualmente dedico-me à atividade ambulatorial em meu consultório e vez por outra, tento colaborar com as Jornadas Científicas dos Ex-Alunos da Medicina do UNIFAA. Nunca me permitiria abandonar o vínculo com a minha querida Faculdade e essa está sendo uma das formas de continuá-lo.

Participo ativamente junto a outros colegas do grupo da Associação dos Ex-Alunos da Faculdade de Medicina de Valença, fundada em 1979. Refletindo sobre a minha vida acadêmica em Valença e na Faculdade de medicina de Valença (Medicina UNIFAA), posso afirmar, com convicção, que foram responsáveis pelo meu eterno coração  universitário. Sempre serei grata por isso.

“Alunos por um tempo, Ex-Alunos para sempre”